Última atualização: terça, 8 outubro 2013, 11:11
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    Idoso diz que tinha o sonho de escrever o nome. Professores e familiares ajudam menina a 'alfabetizar' o vendedor de picolé. Menina de nove anos ensina idoso de 70 anos a ler e a escrever no Ceará Uma criança de 9 anos resolveu ensinar a ler e a escrever um idoso que trabalha há mais de 40 anos vendendo picolé em frente a uma escola no Crato, interior do Ceará, mas nunca foi alfabetizado. A história de amizade entre os dois 'viralizou' nas redes sociais e emocionou familiares e professores do colégio onde a menina estuda. Bárbara Matos, 9, conta que um dia, ao ir comprar um picolé, perguntou se o idoso se ele sabia ler. O vendedor Francisco Santana Filho, conhecido como "Seu Zezinho", disse que não, mas tinha vontade de aprender. Então, a criança resolver ajudar a alfabetizar o idoso. As "aulas" acontecem na porta da escola, com a ajuda de uma professora do Colégio Diocesano, no Centro do Crato. A criança diz que tenta fazer com que o vendedor escreva palavras simples, até chegar ao seu nome. "Eu coloco palavras como 'casa' pra ele cobrir, desenhos, letras pontilhadas. Aí ele vai tentando adivinhar as letras e cobrir os nomes", explica a menina. Menina de 9 anos ensina idoso a ler e a escreve pela primeira vez e história viraliza no Ceará Reprodução/Sistema Verdes Mares Sonho de escrever o nome O vendedor conta que trabalha há décadas na escola, mas nunca aprendeu a ler e a escrever. Quando era jovem, o Zezinho tinha o sonho de ser repórter de televisão. Agora, ele diz que o objetivo é conseguir escreve sozinho o próprio nome. "Eu velho, já com 68 anos, né?. Mas ela chegou, deu essa forcinha e então agora a gente vai aprender uma coisinha. O importante é aprender, então estou feliz. Vai ser bom demais escrever meu nome. Na semana que vem eu aprendo. Eu vou conseguir", diz emocionado o idoso. Amizade entre estudante e vendedor de picolé emociona professores e familiares Sistema Verdes Mares/Reprodução Ajuda dos professores A professora Rizélia Sobreira acompanha a estudante durante as lições. Ela diz que a atitude da menina emocionou a todos na escola. "Eu também me coloquei à disposição pra ajudar. Achei muito bonita essa atitude. Eu chamei ela depois, dei um livro de caligrafia pra melhorar as atividades e tarefas com ele". A avó de Bárbara, a aposentada Silvana Matos Costa, diz que ficou emocionada ao saber da atitude da neta. "É muito gratificante. Eu só tenho uma palavra pra dizer, que é gratidão. Eu tô orgulhosa e muito emocionada", comentou.
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    Professor desenvolveu método de ensino, prática e escrita com estudantes do 6º ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública estadual em Guarulhos (SP). O professor Flávio Nascimento (de camisa vermelha) ao lado de estudantes que escreveram poemas para o livro 'Astronomia em versos'. Governo do Estado de SP Conceitos de astronomia ganharam rimas e ritmo nas mãos de 50 estudantes de 11 anos de uma escola pública de Guarulhos, em São Paulo. E as poesias viraram um livro. Sistema Solar, Cometas, Constelações, Estrelas, Planeta Anão, Stephen Hawking e Missões Apolo são alguns dos nomes dos poemas que compõem o “Astronomia em Versos: Um olhar dos anos finais para o ensino de Astronomia”, escrito por alunos da Escola Estadual Maria Aparecida Félix Porto, sob a coordenação do professor Flávio Borges do Nascimento. A obra foi publicada por uma editora independente e os custos foram bancados pela associação de pais e mestres da escola. Aulas de astronomia viram livro de poesia de alunos de 11 anos Nesta quinta (18), é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil. A data foi criada em 2002 em homenagem ao escritor Monteiro Lobato, que nasceu em Taubaté (SP) neste mesmo dia, em 1882. Nos livros “Geografia de Dona Benta”, “Serões de Dona Benta” e “Reforma da Natureza”, o autor também usa a escrita lúdica para abordar conceitos de ciência. “Essa é uma idade de despertar. Os alunos que escreveram o livro são uma referência positiva na escola. Eles desenvolveram o interesse pela leitura, pela astronomia e isso permite que as pessoas olham e vejam que é possível fazer coisa boa na rede pública”, diz Nascimento. Mas, por que poesia e astronomia? Estudantes da Escola Estadual Maria Aparecida Félix Porto, de Guarulhos, escreveram poesias sobre astronomia no livro 'Astronomia em Versos' Divulgação/Governo do Estado de SP A proposta do professor é incentivar a autonomia do estudo e propor que os estudantes reflitam sobre o conteúdo ensinado. Eles deveriam pesquisar, aprender e transformar o conteúdo em uma outra linguagem. A poesia foi o gênero que se mostrou mais apropriado para os estudantes desta faixa etária. “Não é algo revolucionário. É ouvir os alunos e tentar reproduzir algo novo, por mais simples que seja, mas que venha deles”, diz Nascimento. Do giz ao verso Diagrama mostra ordem dos oito planetas no Sistema Solar Nasa Mas, como incentivar crianças a se interessarem por astronomia e, ainda mais, por poesia? Para atrair a atenção dos estudantes, o professor Nascimento disse que usa a preparação para a Olimpíada Brasileira de Astronomia como chamariz. Além disso, ele dá as aulas seguindo três passos: 1) ensinando o conteúdo de forma tradicional seguindo o livro didático e adotando apenas giz e lousa; 2) levando para a sala de aula instrumentos que demonstram na prática o que eles estavam aprendendo e 3) propondo que os alunos construíssem seus próprios instrumentos. Um exemplo é o telúrio, uma maquete eletrônica que mostra a Terra, o Sol e a Lua orbitando. Com esse instrumento, ele ensina que a lua tem 29 fases, e não apenas quatro. Isso porque “fase” é a porção iluminada da Lua, que varia ao longo de um ciclo de 29,5 dias. “Quando mostro o Sol, a Terra e a Lua eles começam a entender as fases da Lua. Com o aluno indo para casa, olhando, vendo a ciência, ele vai se sentir parte do processo porque vê que é assim”, explica. E a poesia? “Não teria como exigir que os alunos fizessem textos científicos aos 11 anos”, pondera. O professor diz que explicou alguns conceitos sobre estrofe e deixou os alunos livres para a rima. Ao todo, foram selecionadas 59 poesias. Ensinando a aprender Estudante lê o livro de poesia 'Astronomia em versos', com poemas de estudantes de 11 anos da rede pública. Divulgação/Governo do Estado de SP A confecção do livro foi um segredo entre o professor e os estudantes. “Pedi para não falarem para os pais, nem pedissem a intermediação de irmãos. Queria que eles aprendessem sozinhos, lendo livros, consultando referências, sem olhar a internet”, diz. Os estudantes toparam. Foram muitas idas e vindas do texto, de fevereiro até dezembro, até que a obra fosse apresentada aos pais em um evento no fim do ano passado. “Disse para os estudantes: ‘Fala para eles [pais] que agora vocês são escritores’. Foi muita emoção”, diz. Os autores Nascimento é formado em geografia e faz doutorado em ensino na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Este é o segundo livro que Nascimento desenvolve com alunos do ensino fundamental. Em 2016, ele publicou outro semelhante com estudantes da cidade de Monte Mor (SP), onde deu aula. Hoje ele ministra cursos de ciência e geografia para professores. A ideia é replicar o que aprendeu e ter, até o fim deste ano, outros quatro livros feitos em escolas públicas de SP. Desta vez, o assunto da astronomia mais noticiado neste ano deverá aparecer como tema dos poemas: a primeira foto já feita de um buraco negro. Ao fim do livro há uma mini-biografia de cada estudante. Entre os autores, há quem diga que quer ser “estilista e famosa”, outros sonham em estudar medicina veterinária, e até quem quer “deixar sua marca na história da humanidade”, talvez influenciado por Stephen Hawking – a morte do astrofísico foi uma das notícias da astronomia do ano passado, quando os estudantes estavam preparando o livro. Tem também quer estudar astronomia – quem sabe um novo cientista brasileiro sai dessa turma de poetas das estrelas. Poema 'Universo' do livro 'Astronomia em versos' Reprodução/'Astronomia em versos' Poema 'O que é Constelação', do livro 'Astronomia em versos' Reprodução/'Astronomia em verso'